BLOG » Café. O pretinho básico de todos os dias

Por Keiti Afonso

O café acompanha conversas animadas, ajuda a aquecer e faz parte da primeira refeição em todos os cantos do mundo:

"Melhor que mil beijos, mais saboroso que o bom vinho moscatel. É a única bebida que me satisfaz..." Assim o compositor austríaco J. S. Bach, que viveu no século XVIII, descreveu a bebida mais consumida no mundo, na composição "Ária ao Café". Entre celebridades e anônimos, são incontáveis os admiradores e estudiosos do café, entre eles o jornalista Victor Lassen. Apaixonado pelo assunto, ele não contentou-se apenas em ser dono de uma cafeteria: tornou-se também um especialista no assunto, formando-se pelo Centro de Preparação de Café do Estado de São Paulo.

Para Victor Lassen, o café é uma bebida tão nobre como o vinho, com o qual é possível fazer várias comparações. "A qualidade das duas bebidas começa a ser definida ainda na plantação. As condições climáticas e do solo interferem no resultado final dos produtos, assim como o manuseio e armazenagem dos frutos", explica. Outra semelhança é que ambos possuem sabor marcante, capaz de despertar várias sensações diferentes no olfato e no paladar. "No caso do café, a primeira sensação é o aroma, que pode ser achocolatado, amadeirado ou ainda semelhante ao do pão quentinho. Depois vêm a doçura, a acidez e o amargor que, combinados, determinam o gosto do café. A última é o corpo, que é um prolongamento do prazer sentido ao beber, é o sabor que fica na boca", diz o especialista. Ele alerta, entretanto, que nem sempre é possível perceber todas essas características. Apenas as bebidas preparadas com grãos de boa qualidade, torrados e moídos no ponto ideal, e servidas da forma correta, como os espressos das boas cafeterias, por exemplo.

Sabor brasileiro, tempero italiano

Segundo Victor, o café pronto para o uso é composto por duas variedades de grãos: arábica e robusta. O primeiro é mais fino, leve e o segundo, amargo. A combinação dos dois é que determina se um café é mais forte ou fraco. A torrefação também pode tornar o café mais ou menos amargo. Explorando essas condições a indústria brasileira desenvolve grãos que agradam aos diferentes paladares do mundo inteiro. "O café brasileiro tipo exportação é de altíssima qualidade e muito respeitado no exterior. A última novidade para esse mercado é o café orgânico, cultivado sem produtos químicos e que faz muito sucesso no Japão", diz Victor.

Mesmo sendo uma bebida sempre associada ao Brasil, foram os italianos que aperfeiçoaram as formas de preparar e servir a bebida. As melhores cafeteiras e máquinas de espresso são as italianas, assim como muitas receitas que levam café, como o tradicional capuccino. Outra mania italiana é, no inverno, beber café acompanhado com licores, alternando os goles. A união do pretinho com bebidas alcoólicas foi batizada por eles de "caffè correto".

Espresso ou expresso?

Segundo o especialista Victor Lassen, as duas formas são aceitas, mas transmitem conceitos diferentes. " A palavra com x idéia de rapidez, enquanto a com s está associada à maquina utilizada para o preparo, que coloca a água sob pressão", explica. Independente do nome, Victor algumas dicas para aproveitar ao máximo o sabor do cafezinho:

- A "espuminha" é sinal de um café bem servido Ela é a cremosidade formada naturalmente pela oleosidade da bebida.

- O café deve ser apreciado com um copinho de água mineral com gás. Um gole antes, limpa as papilas gustativas para que percebam melhor o sabor do café. O restante da água pode ser bebido depois para diminuir o corpo dos cafés mais fortes.

- A medida ideal de açúcar para cada xícara de cafezinho são 5 gramas, a quantidade dos envelopinhos usados nas cafeterias. Mais do que isso, altera o sabor natural do café.

- Para não ter problemas de insônia, Victor recomenda uma dose máxima de três espressos por dia e sempre antes das 19 horas.

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