Por Antonio de Padua (Padinha)

(Baseado nas falas de Cleide Canton e Rui Barbosa)

 pensaram e disseram as coisas que eu queria escrever hoje neste texto. O que me assusta é que foram ditas emépocas diferentes, mas é o que eu pretendia dizer. Fiquei mudo ao reler uma matéria de uns dois meses atrásfalando sobre aquele teste em que o Brasil foi reprovado no quesito corrupção e violência. Para os gringos somoscorruptos e violentos. De nada adianta ver o país crescer economicamente, de nada adianta o biodiesel, asmulheres lindas e as mulatas tipo exportação, de nada serve o maior carnaval do mundo. Somos pré-conceituados,corruptos e violentos. Eu queria apenas dizer que por tudo isso:

Sinto vergonha de mim por ter sido educado, por ser parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, porcompactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo chamado varonil enveredar pelocaminho da desonra. Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pelaliberdade de ser e ter que entregar a meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, aausência da sensatez no julgamento da verdade.

A negligência com a família, célula mater da sociedade, a demasiada preocupação com o “EU” feliz a qualquercusto, buscando a tal felicidade em caminhos enraizados no desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir sem despejar meu verbo, atendo as desculpas ditadas peloorgulho e vaidade para reconhecer um erro cometido, a tantos floreios para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição, de sempre contestar, voltar atrás e mudar o futuro.

É... Tenho vergonha de mim por fazer parte de um povo que não reconheço, enveredando caminhos que não quero percorrer.

Sinto vergonha de mim pela minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho pra onde ir, pois eu amo esse meu chão, vibro ao ouvir meu hino e jamais usei a minha bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade. Ao lado da vergonha de mim tenho tanta pena de ti “Povo Brasileiro”, de tanto ver triunfar as imunidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar esses poderes nas mãos dos maus.

 

O homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto!