Não gosto de tratar de um assunto que desconheço parte dele, mas, que a Floresta Amazônica está um desleixo, todo mundo sabe! Basta ler jornais, assistir a TV, ler algum livro que trata do assunto. Se bem que o descaso maior é nosso e de nossos governantes que brincam de cabra-cega quando o problema toma proporções internacionais e comerciais.

Conheci uma pessoa que mora em Roraima, mais precisamente em Boa Vista-RR, onde estão concentrados todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da Prefeitura. É claro, esse meu amigo é funcionário público. O que fiquei sabendo de seus relatos é de cair o queixo! Lá falta uma identidade com a terra, visto que o que menos se vê em Roraima é um roraimense autêntico. Tem de tudo em Boa Vista: gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, americanos, japoneses e, vez em quando, seres indecifráveis. Você encontra ETs, mas não encontra um roraimense. Lá é a terra dos funcionários públicos, pouquíssimos trabalhadores do comércio e uma minoria beneficiada pelos programas do governo. Não existe indústria de qualquer tipo. 70% do território roraimense é demarcado como reserva indígena. Dos outros 30% ainda é preciso descontar os rios e as terras improdutivas, que são muitas.

Existe uma única rodovia em direção ao Brasil ocidental (Boa Vista=Manaus), com cerca de 800km. Tem um trecho de 200km que pertence à reserva indígena Waimiri Atroari. Imagine só que você só passa por este trecho entre 6 da manhã e 6 da tarde. Fora disso é flechada e pedrada no lombo. Mas tem um detalhe importante: Se tiver uma autorização da FUNAI ou dos americanos tem acesso vip. Ter uma autorização da FUNAI tudo bem, mas precisar de autorização dos americanos para passar em uma área do território brasileiro, parece piada e uma afronta ao patriotismo e ao brio do cidadão brasileiro. Ainda mais sabendo que o acesso é liberado, e com tapete vermelho, para os americanos, europeus e japoneses. Dá pra entender isso sem se revoltar?

Ninguém entra nos 70% do território indígena sem uma boa burocracia da FUNAI, mas o detalhe que incomoda é saber que os americanos não precisam dela e se eles autorizarem, dane-se a FUNAI, você passa e vira vip. Quer mais? A maioria dos índios fala a língua nativa, além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Na entrada de algumas reservas, existem hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. Procure lá uma bandeira brasileira, mas leve uma de reserva, caso não consiga encontrar uma.

Fiquei sabendo que é comum de se ver por lá aqueles americanos com cara de quem não quer nada, despistando que vai catalogar joaninhas, caçar borboletas ou fazer um turismo gay às escondidas e, no finalm, acabam montando uma empresa de exportação de plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí, ervas medicinais e componentes naturais para fabricação de remédios. Vai você lá e tenta fazer a mesma coisa e depois me conta quanto está pagando de royalties para as empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia!

Li em um artigo tratando do mesmo assunto e pasmei com o relato de uma mulher que vende suco e água na rodovia próximo a Mucajaí, lá por aquelas bandas: Ela disse o seguinte: “Tudo aqui pertence aos americanos, eles comandam tudo e você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Eles vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos, onde os iraquianos não entram. Vai ser a mesma coisa” Bem informada esta mulher não acham? Os americanos alegam que estão libertando os povos indígenas. Libertando de que? De quem?

Todo mundo sabe que o Brasil é rota de distribuição de drogas. Claro, mantém suas fronteiras abertas e aqui tem estrada para as Guianas e Venezuela. Vocês sabiam que nenhuma bagagem de estrangeiros é fiscalizada pra evitar um incidente diplomático? Principalmente se for americano, europeu ou japonês. Fiquei sabendo que tem muito traficante colombiano virando venezuelano porque comprar a cidadania venezuelana é muito fácil, basta pagar cerca de 200 dólares. Depois, o acesso para o Brasil fica mais fácil!

Acho muito estranho os americanos quererem tanto proteger e libertar os índios! Cheguei à conclusão de que os índios não interessam a eles e sim as terras indígenas, que possuem abundância de água, riquezas animais e vegetais, são ricas em ouro, diamantes e outras pedras preciosas, minério, além das reservas norte de Roraima e Amazonas que são ricas em petróleo.

Fico me perguntando se alguma atitude para amenizar o que está acontecendo, passa pela cabeça do nosso atual oportu... ops... presidente? Fico questionando aquela história antiga de que nos EUA estariam ensinando geografia às crianças, mostrando um mapa do Brasil em que a Amazônia Brasileira é denominada de Área de Preservação Internacional e o resto, cerca da metade do Brasil, aparece com o nome de República Federativa do Brasil. Não acreditei na época e hoje em dia começo a questionar se é verdade ou não. Vou mais longe ainda: acho que o interesse dos EUA pode não ser apenas no Brasil, mas, em toda a América do Sul. Os gringos só querem dominar a Amazônia Brasileira? E a da Colômbia, do Peru, da Venezuela e a da Guiana. Será que eles já comandam por lá?

Não estou querendo incitar ninguém contra uma nação amiga, mas que isso me incomoda não posso esconder!

Moro em Juiz de Fora-MG e posso dizer que não estou nem aí, quando na verdade estou. A situação lá na Amazônia é como se alguém se atrevesse a invadir a minha casa, deitasse na minha cama, com meu pijama, e depois de comer todo meu estoque de pipocas de micro-ondas, se justificasse dizendo que estava apenas tentando proteger as muriçocas ou que estivesse tomando conta do meu cachorro que, diga-se de passagem, é vacinado!

Aqui no Brasil falta vacinar os políticos, mas a vacina contra o descaso e a cegueira política e interesseira ainda não foi inventada!

Enquanto não descobrem a cura podemos confirmar as consequências do problema dando uma passadinha rápida no restaurante Per Se, em Nova York, ou no French Laundry, que fica ali na Califórnia. Pertinho! Lá tem suco de copaíba, açaí, camu-camu e qualquer outra fruta da Amazônia. Para o presidente do país, dono de tão cobiçado pomar, inventaram um suco especial e exclusivo, preparado na hora, com uma das frutas mais raras da Amazônia, que nasce aqui e só vemos por lá, o Pau Rosa. Certamente que será de cortesia, uma forma de agradecimento pelo constante descaso e pela atual decisão de criar a tal reserva para exploração mineral que, além de destruir proteções ambientais e indígenas, vai beneficiar companhias estrangeiras.

Passa lá Sr. Presidente!

 

Antonio de Padua (Padinha) - Fotógrafo, diretor do site O Click e colunista nas horas vagas!